terça-feira, 13 de novembro de 2012

Meu enredo...

Bete Tezine, 2012.




O meu enredo não mostra os meus pedaços espalhados em qualquer lugar, hoje tento desafiar o meu abalar que são envolvidos pelos olhos alheios.
Me faço um homem mais verdadeiro, me esquivando de quem não se faz verdadeiro nas palavras e muito menos nas atitudes.

(Julio Aukay)







Sabe um daqueles dias em que se espera que nada mais possa acontecer na nossa vida para  retomar o rumo de todos nossos projetos, sonhos e expectativas?
Sabe aquele momento em que, simplesmente, assumimos para nós mesmos o conformismo com nossa condição de vida, ou melhor, com a nossa falta de viver, na ampla concepção do termo?
Tem consciência daquele instante em que deixamos de ser nossa prioridade e passamos a coadjuvantes no palco da nossa própria vida e, quando o espetáculo acaba, fica a sensação de que os aplausos recebidos foram para todo o elenco, exceto para nós?
Pode imaginar o dia em que nada mais nos encanta, em que nada mais em nós encanta, em que sentimos que só nos resta deixar o tempo passar e esquecer de sonhar?
É capaz de vislumbrar o vazio da alma, quando nos damos conta de que não somos mais senhores das nossas vontades e que, o mundo, nos deixou de fora dos enredos do nosso próprio viver?
Eu posso dizer que, não apenas pude entrever tudo isso, mas, eu realmente vivi todos esses momentos. Vivi por tempo suficiente para que eu pudesse acreditar que, indubitavelmente, eu havia chegado a um estágio da minha vida que só me restava viver um dia de cada vez, sem expectativas, sem sonhos, sem projetos, sem alegria de levantar todos os dias e saudar a dádiva de estar viva.
Foram tempos em que toda minha autoestima se tornou inexistente. Todo meu contentamento com a minha condição de existir foi anulado. Eu, simplesmente, me deixei ficar e acreditar que, da vida, eu não poderia esperar nada além de uma existência monótona e descolorida. É triste, sei bem, mas, vesti, docilmente, a alegoria que puseram diante de mim. Não reagi, não lutei, não discordei, não questionei, não me rebelei. Apenas aceitei, tacitamente, a condição que me fizeram crer ser a minha. Mãe, esposa, portadora de Esclerose Múltipla. Sem direito a sonhar e, o pior de tudo, sem direito a viver qualquer sonho que eu pudesse teimar em vir a ter.
Porém, num desses meus momentos de desencanto comigo mesmo, como num passe de mágica, janelas foram abertas e eu pude vislumbrar que, além dos muros do meu existir, havia vida e, o mais surpreendente, vida em abundância.
Nossa! Qual não foi a minha surpresa ao perceber que eu poderia participar, plenamente, do enredo que se desenrolava do outro lado das janelas abertas. O mundo me chamou de volta para dentro das suas entranhas. Fui, convidada por ele, a fazer parte do mundo em que sonhar, não apenas é possível, mas, uma necessidade para que possamos ser considerados verdadeiramente vivos.
Hoje, posso dizer, que retomei as rédeas da minha existência, pois, me despi da alegoria que teimaram em vestir em mim e eu, por pura descrença em minha própria capacidade de comandar meus próprios anseios, me deixei usar por tempo demais.
Hoje, voltei a ser a protagonista da minha própria história e, o responsável por isso, é você que escancarou diante de mim um mundo de possibilidades, mostrando-me que eu sou bem mais do que me fizeram acreditar durante toda a minha vida.

Um beijo agradecido por ter entrado na minha história...



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