segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Balanço de ano velho




Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos.

(Luís de Camões)





Enfim, o ano de 2012 chega ao fim. Digo enfim porque, apesar de parecer ter sido ontem o final de 2011, esse ano foi extremamente longo, para mim, em termos de vivências, descobertas e redescobertas.
Comecei o ano realizando a bateria de exames para o diagnóstico da Esclerose Múltipla, foram 3 ressonâncias magnéticas, 1 exame de líquor, 32 tipos tipos de exames de sangue e 1 potencial evocado visual que culminaram na confirmação da minha condição de portadora da enfermidade autoimune, degenerativa e sem cura até os dias atuais.
Depois disso, iniciei o uso das injeções de Rebif e, passei a conviver com a difícil adaptação aos efeitos colaterais do medicamento, juntamente com a minha nova condição de vida.
Por conta da perda de força e das constantes vertigens que, ficaram como sequelas do surto que desencadeou na investigação e consequente descoberta da doença, eu precisei abrir mão de diversas atividades, dentre elas e, talvez a mais significativa, o meu trabalho.
A primavera me encontrou vivendo um novo surto da Escleroso Múltipla. Surto este que me tirou o chão, literalmente, me causando tantas vertigens que pensei que o mundo nunca mais fosse parar de rodar em volta de mim. Mas, felizmente, ele se aquietou e deixou minha cabeça no lugar onde precisa estar.
Tive perdas, tive medos e receios, tive dificuldades imensuráveis, tive de me reestruturar, me reinventar, me redescobrir. No entanto, fazendo um balanço desprovido de autopiedade eu posso dizer que o ano que termina foi o mais construtivo de toda minha vida. Tive algumas perdas, sim, mas, tive ganhos incalculáveis. Ganhos esses que, fazem com que todas as angústias que vivi, se tornem ínfimas diante das conquistas que se acumularam no meu interior.
Incontestavelmente, 2012, foi o ano da minha superação, uma vez que abandonei várias deficiências, ultrapassei meus próprios limites, me desvinculei de temores antigos, assumi minha individualidade, me reconciliei com o espelho, fiz as pazes com minha própria vida e reaprendi a sonhar e a crer na possibilidade de viver cada um dos meus sonhos, tantos os que eu havia arquivado, quanto os que comecei a sonhar a partir da redescoberta de mim mesma.
Foi, durante o ano que está se despedindo, que identifiquei várias das minhas deficiências e as tenho superado, uma a uma, dia após dia. Não posso afirmar que estão todas devidamente resolvidas dentro da minha cabeça, no entanto, as que ainda não foram sanadas, estão bem próximas de ser, uma vez que, acredito mesmo, que o mais difícil em todo esse processo, é assumir nossas próprias dificuldades.
Assim, 2012, vai levar com ele, muitas das minhas neuroses, medos, inseguranças, baixa autoestima, impaciência, desencantos, ansiedades desmedidas e descabidas, falta de fé... São mesmo muitas as coisas que vão na bagagem desse ano que termina. Quero, de verdade, me despedir de tudo o que não me construiu, que me estancou por tempo demais, para dar lugar apenas ao que me faz crescer, evoluir e ser feliz.
Então, me despeço, agora, de tudo o que não me serve mais e saúdo a chegada de 2013 como uma nova mulher, mais leve, mais segura e com muito mais espaço na vida para as coisas que realmente valham a pena serem mantidas dentro de mim. 
Adeus, 2012! 

Beijos renovados!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Deixe as janelas e portas abertas...


Sei que todos, algum dia, acordamos com a senhora desilusão sentada na beira da cama. Mas a gente vai à luta e inventa um novo sonho, uma esperança, mesmo recauchutada:vale tudo menos chorar tempo demais. Pois sempre há coisas boas para pensar. Algumas se realizam. Criança sabe disso.

(Lya Luft)



Muitas vezes, somos tão machucados pela vida, que nos fechamos dentro de nós mesmos e não nos permitimos um recomeço. Nos retraímos, nos encolhemos, perdemos a autoestima e passamos a acreditar que não merecemos viver nossos sonhos, nem mesmo, o mais ínfimo deles. É, nesse hora, que a dor machuca mais e nos faz refém da sua amargura, envolvendo-nos em uma tristeza infinita e em uma profunda carência de afeto.
A ingratidão fere a alma, fazendo sangrar a ferida aberta até que nossas forças tenham sido sugadas e, passemos a acreditar, que nada e nem ninguém vale mais a pena. 
O desamor provoca uma dor lancinante que exaure nosso coração, fazendo dele uma concha  inacessível a todos que nele tentam adentrar.
A ingratidão caleja nossa capacidade de benevolência e nos atira no calabouço da falta de fé na bondade alheia.
A incompreensão nos causa um mal incalculável, uma mágoa dolorida que, tira de nós, toda a vontade de compartilhar nossas inquietações e emoções conflitantes.
São tantas as dores do mundo que se apossam de nós, que quando nos damos conta, já nos tornamos seres profundamente melancólicos e divorciados da alegria de viver.
Isso, sem a menor sombra de dúvida, é o pior que pode nos acontecer, pois, quando o desencanto com a vida se torna nossa companhia constante, deixamos de enxergar todas as possibilidades de mudanças que se descortinam, diariamente, diante dos nossos olhos, pois,  a escuridão da alma, tira-nos a capacidade de vislumbrar e identificar mudanças capazes de nos reconciliar com o mundo e, acima de tudo, com o nosso próprio eu.
A felicidade, como um estado de espírito imutável e permanente, não passa de utopia, uma vez que, não há ninguém nesse mundo que não tenha vivido, ou, que ainda não vá viver, momentos de infelicidade. Somos seres imperfeitos e, como tal, não alcançamos, ainda, o grau de evolução necessário ao desprendimento que nos leva ao total contentamento com a vida. 
Sendo assim, precisamos ter consciência de que dores, angústias, ingratidões, incompreensões, amores não correspondidos, sempre existirão, porém, isso não significa que estejamos fadados à infelicidade eterna. Não, não é isso que estou afirmando, de forma alguma, pois, o que quero dizer é que, mesmo sabendo que momentos difíceis poderão fazer parte da nossa vida, não devemos fechar as portas do nosso coração e, muito menos, as janelas da nossa alma porque os momentos felizes não batem na porta nem, muito menos, giram a maçaneta a fim de adentrarem em nossa vida, não mesmo. 
Eu sei que esse post está ganhando ares de mensagem de autoajuda, porém, não é bem isso que estou querendo demonstrar com minhas frágeis palavras. O que quero, na verdade, é dizer que, por mais que a amargura se faça nossa companheira, precisamos respirar fundo e não permitir nos tornar reféns da autocomiseração, do desencanto e da falta de perspectiva. Necessário se faz que, escancaremos as portas do nosso eu, para que a felicidade (não aquele utópica, mas , a felicidade real e perfeitamente possível), possa invadir o nosso interior e trazer de volta todas as cores do mundo e a alegria de viver, reacendendo as luzes que clareiam e iluminam nossa busca pelo melhor de nós.
É preciso reconciliarmo-nos com a vida, vida plena, vida repleta de amor...

Um beijo carinhoso...


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Então, é natal, outra vez...






Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez
Então é Natal, a festa Cristã
Do velho e do novo, do amor como um todo
Então bom Natal, e um ano novo também
Que seja feliz quem, souber o que é o bem

(Claudio Rabello)





Quero iniciar essa postagem com o vídeo de uma música que sempre me emociona:



Desde criança, o natal sempre exerceu um fascínio irresistível sobre mim. É uma data que me provoca um sentimento nostálgico, uma melancolia boa, uma introspecção, uma certa magia... É isso, eu sempre achei o natal uma data mágica que, na minha visão infantil, demorava uma década para chegar. Entre um natal e outro, eu sonhava com as luzes, a árvore enfeitada, os presentes do papai noel, a ceia natalina... entretanto, isso sempre ficou apenas nos meus sonhos de criança, uma que vez minha família nunca teve por hábito comemorar o natal. Na casa da minha mãe, essa era uma data como qualquer outra. 
Eu cresci, formei minha própria família e passei a montar a árvore de natal, a fazer a ceia, a colocar os presentes "trazidos pelo papai noel" embaixo da árvore na noite do dia 24. Enfim, comecei a comemorar o natal em minha casa como imaginava nos meus sonhos de criança.
Todavia, essa é apenas uma parte da magia que o natal provoca em mim, aliás, a menor delas, pois, existe algo nessa data que realmente mexe com minhas emoções, é o momento em que me autoavalio como pessoa, em que busco analisar tudo o que vivi no último ano e fazer um balanço entre minhas conquistas e minhas derrotas.
Hoje, não foi diferente. Eu me voltei para uma análise imparcial de todos os acontecimentos que se sobrepuseram em minha vida desde o último natal e, constatei, que meus ganhos foram muito maiores que minhas perdas. É certo que tive alguns momentos difíceis por demais, como a descoberta da Esclerose Múltipla, os dois surtos, a complicada adaptação às injeções de Rebif. Essas, foram coisas que realmente me fizeram viver momentos de muito sofrimento e apreensão.
No entanto, posso dizer com a mais plena convicção, que minhas vitórias foram muito mais significativas e me possibilitaram um novo olhar acerca da minha própria vida. Eu cresci, amadureci, me reencontrei comigo mesma, me redescobri. 
Assim, o natal de 2012, me encontrou renovada, pois, apesar de ter me descoberto portadora de uma doença degenerativa incurável, eu ganhei de presente da vida uma grande amiga e um amor verdadeiro, um amor que nunca imaginei que pudesse um dia viver. Essas, sem dúvida, foram minhas maiores conquistas. 
Minha linda amiga, você sabe que é de você que estou falando. Eu amo você!
Amor da minha vida, você sabe que mudou minha história, me fez renascer e esquecer as dores do mundo. Eu amo você!
Por fim, desejo a todos que as luzes do natal (as mesmas luzes que me fascinam desde menina) possam pontilhar de amor, paz, saúde e felicidade, todos os dias das nossas vidas.

Feliz Natal para todos nós!

Beijos no coração de todos!