sábado, 5 de janeiro de 2013

Vamos ao pilates...






mens sana in corpore sano






Assim que minha neurologista levantou a suspeita de que eu era portadora de Esclerose Múltipla, antes mesmo de fechar o diagnóstico, ela me recomendou a prática de alguma atividade física. Passando, em seguida, à análise de algumas atividades às quais eu poderia me dedicar e , em todas elas, havia um senão por conta das minhas condições físicas.
Iniciou a lista pela caminhada diária, aos menos 30 minutos por dia, porém, eu tenho no tornozelo esquerdo, 10 pinos e uma placa de metal por conta de uma fratura sofrida há 5 anos atrás. Parece tempo suficiente para que tenha havido uma completa recuperação, no entanto, não é bem o que acontece, pois, nas palavras do meu médico, eu atingi o grau máximo de restabelecimento, haja vista a gravidade do que me ocorreu. Foram duas fraturas e rompimentos de todos os ligamentos e tendões, o que resultou em inchaço e dor crônicos que, infelizmente, me causam bastante limitação para andar. Por esse motivo, a caminhada foi descartada.
Em segundo lugar, minha médica citou a hidroginástica, no entanto, dois agravantes fizeram com que essa atividade fosse logo deixada de lado: minha fobia por água e as piscinas aquecidas, tendo ela me explicado que portadores de Esclerose Múltipla não podem ficar expostos ao calor e, dificilmente, eu encontraria um lugar em que a piscina não tivesse aquecimento.
E, assim, todas as atividades que foram sendo lembradas encontrou um obstáculo, ora era por conta do aquecimento corporal, ora pela condição do meu  tornozelo, ora pela minha limitação física por conta da fadiga exacerbada. 
Por fim, eu me lembrei de um artigo que havia lido em uma revista sobre os benefícios do pilates e comentei isso com minha neurologista. Ela, imediatamente, concordou que era a melhor opção para mim, me recomendando iniciar imediatamente e ir aumentando a frequência às aulas, aos poucos, a fim de adaptar meu corpo à atividade física.
Foi assim que, em fevereiro de 2012, eu comecei a frequentar as aulas de pilates ministradas por uma fisioterapeuta que, desde o início, sempre adequou os exercícios às minhas necessidades e condições físicas, bem como à tentativa de reversão da maior sequela deixada pela Esclerose Múltipla em meu corpo: a perda de força do braço e perna esquerdos.
Desse modo, após quase 1 ano de frequência às aulas de pilates, 3 vezes por semana, posso assegurar que os benefícios que ele trouxe para o meu corpo são imensuráveis. Ganhei flexibilidade, pois minhas articulações estavam, literalmente, travadas; recuperei boa parte da força que havia perdido; ganhei mais resistência física, pois não fico mais ofegante quando subo escadas, por exemplo; além de tonificar a musculatura.
Contudo, devido às festas de final de ano, o estúdio em que faço as aulas, ficou fechado por 15 dias e eu, nesse período, não me exercitei e, hoje, ao retornar, senti nitidamente  como mesmo poucos dias inerte podem causar um verdadeiro "estrago"  em nosso corpo. Senti dificuldade para executar todos os movimentos propostos, pois, minhas articulações enrijeceram consideravelmente nesses poucos dias, minha perda de força estava mais acentuada e os espasmos musculares se fizeram mais presentes. 
Por conta disso, eu prometi a mim mesma que, toda vez que eu ficar impossibilitada de frequentar as aulas por alguns dias, eu irei fazer, aos menos, alguns alongamentos em casa, a fim de manter meu condicionamento físico em níveis adequados até ser possível meu retorno ao estúdio.
Então, vamos ao pilates...

Um beijo tonificado!


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Minha escrita...



Eu escrevo para mudar o conceito de escrita. Eu escrevo pela falta de conceitos.
Eu não quero escrever por me sentir pequena demais, não tenho razões. Tenho impulsos que me levam a gastar canetas no lugar de lágrimas e papel ao invés de sofrimento.
Eu gosto da magia de descrever o que os olhos fogem da obrigação de dizer.
Escrever aproxima do céu.

(Verônica H.)



Desde criança, colocar minhas ideias sobre uma folha de papel nunca foi problema para mim, muito pelo contrário, sempre tive facilidade em derramar minhas emoções em forma de escrita.
Os que são contemporâneos meus, devem lembrar das comemoração cívicas nas escolas impostas pelo regime militar. Comemoravam-se todas as datas importantes registradas nos calendários, como independência do Brasil, dia do índio, proclamação da república e por ai vai. Nessas comemorações, além do Hino Nacional e do Hino da Escola, impreterivelmente, haviam apresentações de jograis e leituras de textos, tanto os que já estavam prontos na literatura, quanto os escritos pelos alunos e professores. Invariavelmente, ano após ano, eu fui encarregada de escrever ao menos um texto para ser apresentado nas diferentes datas comemorativas.
Assim, o tempo passou, eu cheguei ao Ensino Médio (naquela época o Colegial) escrevendo continuamente para os diversos tipos de eventos que ocorriam na minha escola. 
Daquela época, ainda tenho bem nítido na minha lembrança, a professora Mabel que lecionava uma disciplina chamada, se não me falha a memória, PIP - Programa de informação profissional, e que sempre me aconselhava a seguir a carreira jornalística, haja vista o meu entrosamento com a escrita. 
O tempo passou e, por uma série de circunstâncias, a minha vida tomou um rumo em que a escrita ficou arquivada por anos a fio, uma vez que eu não tinha mais razões para escrever nada além de cartas comerciais e alguns cartões de boas festas. Vale dizer que não segui a carreira jornalística e acabei, muitos anos depois do término do ensino médio, enveredando pelo estudo do Direito, sendo que, durante todo o curso, produzi boas peças processuais, mas, aquela escrita dos meus tempos de escola, continuou trancafiada em algum cantinho do meu cérebro.
Mais uns anos se passaram, o Direito, também, foi arquivado e acabei por realizar um sonho antigo: cursar uma faculdade de Artes Plásticas. Durante todo o curso, a expressão dos meus pensamentos e sentimentos por meio da escrita foi transparecendo, timidamente, nas justificativas para os trabalhos práticos desenvolvidos. Ao término da faculdade, meu TCC - Trabalho de Conclusão de Curso, nada mais foi, como o próprio título dizia, um retrato de mim. Nele, deixei fluir toda a minha essência interior e, por meio da escrita, talvez muito mais que pelo trabalho prático, produzi meu autorretrato.
Todavia, após o final do curso, já tendo sido diagnosticada como portadora de Esclerose Múltipla, eu me vi sem motivação para prosseguir minha caminhada, me senti completamente só, sem perspectiva alguma e me deixei levar pela autopiedade e pela desilusão com a minha própria vida. Me faltavam forças para reagir e prosseguir com minha história.
Desse modo, me deixei ficar em um real estado de inanição por quase 60 dias, mas, felizmente, eu emergi da apatia que me consumia em tempo de não me tornar refém permanente da falta de confiança em mim mesma e, decidi, após muito pensar sobre o assunto, usar a habilidade que descobri ainda criança, para por para fora de mim minhas inquietações como portadora de Esclerose Múltipla e, muito mais, as que carrego comigo 
como ser humano que sou. 
Foi, assim, que esse blog tomou forma, primeiramente na minha mente, para, depois, ganhar um corpo real e receber em seus posts, todas as minhas mazelas, dores, angústias, apreensões, expectativas, alegrias, vitórias, conquistas, superações, decepções... afinal, tudo o que tenho vivido ao longo de toda minha vida, antes e depois de me descobrir "esclerosada". 
Hoje, depois de mais de 4 meses do início do blog e, contando com este, 103 posts publicados, posso dizer, seguramente, que a escrita me salvou de uma depressão e de um mergulho, sem volta, na autocomiseração e na falta de amor próprio. 
Não sei dizer se o que escrevo faz sentido para alguém, além de mim mesma, mas, minhas palavras, nada mais são do que a tradução da parte mais íntima e profunda do meu ser. São, literalmente, um retrato de mim.

Um beijo por escrito!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Resoluções de ano novo

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade)



Hoje, é o primeiro dia do ano que, tenho certeza, será o ano da minha vida, será o ano em que vou concretizar vários dos sonhos que tenho sonhado ao longo dos anos que já vivi.

Não vou fazer uma lista de resoluções de ano novo, não vou fazer promessas que, sei, muitas não irei cumprir, não vou mesmo. Mas, vou discorrer, brevemente, sobre algumas coisas que, tenho certeza, irão acontecer comigo durante o ano que se inicia hoje.
Eu vou escrever um livro, talvez dois, se tiver tempo e a mente ajudar, pois, quem tem como companheira diária a mesma enfermidade que eu - a Esclerose Múltipla - sabe bem que, muitas vezes, a fadiga mental nos acomete e as ideias não fluem como deveriam, mas, vou me empenhar, ao máximo, para que esse sonho se torne realidade nesse ano de 2013. Tenho ideias fervilhando na cabeça e, apenas, esse espaço do blog, não está mais me sendo suficiente. Preciso ver as divagações sobre minhas inquietações como portadora de Esclerose Múltipla e, principalmente, como ser humano que busca seu lugar no mundo, estampadas nas páginas de um livro.
Também, vou me permitir maiores demonstrações de afeto. Vou mostrar para todos aqueles que são importantes, para mim, o quanto eu necessito das suas presenças na minha vida. 
Quero poder ficar horas olhando , apenas olhando, para as pessoas que eu amo; para a chuva que cai de mansinho; para as nuvens que se camuflam em formas de algodão; para a lua que,  de longe, inspira os corações apaixonados; para as ondas do mar que arrebentam na praia; para as estrelas que pontilham o céu; para o por-do-sol nas tardes quentes de verão; para as árvores desfolhadas no outono e para as flores desabrochando durante a primavera. Quero olhar, sem pressa, para os pássaros pousados nos galhos das árvores e para o beija-flor que beija a flor de flor em flor... 
Como eu quero sentar na grama, em uma manhã de domingo, e ficar olhando crianças correndo de um lado para o outro, cachorros perseguindo uns aos outros, bolas rolando, gritos, risadas, choros, também, por que não? Choros de crianças, quando não são de sofrimento, mas, apenas de manha, me enchem o coração de ternura. 
Quero ouvir a mesma música, aquela que me diz muito de mim mesma, um milhão de vezes, até gravar a letra e a melodia dentro da minha memória. 
Eu quero tanta coisa nesse ano, tantas coisas que ainda não vivi, mas, que sei que posso viver, como aprender a dançar... já me vejo rodopiando amparada por braços fortes; como aprender a andar de bicicleta... é verdade, eu ainda não sei andar de bicicleta, parece inacreditável, mas, é a mais pura realidade.
Enfim, o que quero durante 2013, na verdade, nada mais é que viver, viver intensamente, viver simplesmente, me permitindo fazer coisas simples, mas que, nas suas simplicidades, me trarão uma satisfação pessoal imensurável. O que quero, realmente, é sentir a vida pulsar, vida viva, vida repleta de cor.

Beijos resolutos!