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| Olha nós duas ai! |
Dia 16 de dezembro de 1999, quinta-feira, aos 7 meses de gestação, no mesmo momento que soube que você seria uma menina, descobri, também, que você não iria esperar o ano 2000 para vir ao mundo, pois, como você mesma diz, queria ver a queima de fogos da virada do ano (rsrsrrsrsr).
Assim, às 18h50min você nasceu com olhos de jabuticaba e cabelo quase chanel (rsrsrsr), tão pequena, mas tão saudável e já sabendo o que veio fazer no mundo, uma vez que nem quis ficar na incubadora, você quis mamar e conseguiu (rsrsrsrs).
Hoje, você está completando 15 anos! De verdade, nem acredito que o tempo passou tão rápido assim! Lembro de cada detalhe de quando você era bebê, inclusive de quando quase te afoguei na hora do banho... você ainda está traumatizada por isso???? (kkkkkkk)
Na verdade, motivo para traumas não faltaram, não é mesmo?
Que mãe esquece a filha no estacionamento e só dá pela falta dela quando ela liga no celular e a mãe vira para perguntar por que ela está ligando e ai percebe que a filha não está no carro? Pois é, essa mãe sou eu!!! Você já me perdoou, apesar do trauma??? (kkkkk)
Confesso, minha filha linda, que vivo aumentando seus traumas, pois várias vezes te esqueço na escola, chego para te buscar no último minuto, mas eu sei que você entende e sabe que ter uma mãe esclerosada não é nada fácil, pois eu esqueço tantas coisas, agora até dei para trocar seu nome, não é? Perdão, perdão, perdão, prometo prestar mais atenção nisso, tudo bem?
Mas, deixando os traumas a que te submeti no decorrer da sua vida (kkkkk), quero te dizer que você é um presente de Deus na minha vida, você é minha menina agridoce, que me enche de carinho, mas que tem seus momentos de limãozinho também (kkkkkkkk).
Eu tenho tanto orgulho de você e, quando você diz que tem orgulho em ser a filha da Bete Tezine, eu me sinto a mãe mais privilegiada do mundo por você me enxergar muito melhor do que sou, me estimular, me elogiar, me colocar para cima, me compreender, me ajudar, afinal, além de filha, você é minha estilista pessoal, minha revisora de textos, minha cabeleireira, minha maquiadora, minha melhor amiga, minha cúmplice e minha parceira nas cantorias de músicas bregas. Por falar nisso, estamos ficando craques em cantar "boate azul", não é mesmo? (kkkkkkkk)
Minha filha linda, meu docinho, minha "princess of the red book" (lembra?), minha princesa, minha gatinha, minha vida... te desejo toda sorte e felicidade do mundo! Que você encontre cada um dos seus sonhos, que nunca desista de lutar pelos seus objetivos, que você cresça (no tamanho não sei se vai dar, né?) sendo sempre decidida e sabendo exatamente o que quer da vida!
Que orgulho de ser sua mãe!
Que honra te ter como filha!
Parabéns pra você nesta data querida!
Muitas felicidades, muitos anos de vida!
Pra Carol, nada? Tudo!!!!!!!
Então como é que é???
É pique, é pique, é uma porção de piques!
É hora, é hora, é uma porção de horas!
Ra, tim, bum!
Carol! Carol! Carol!
Feliz aniversário!!!!!!!
Te amo mais do que consigo te dizer!
Beijos infinitos!
A normalidade é tão-somente uma questão de estatística.
(Aldous Huxley)
O que fazer naqueles dias em que acordamos com a sensação de que não dormimos, de que passamos a noite inteira correndo uma maratona, tal é a fadiga que toma conta de nós ao despertarmos?
O que fazer naqueles momentos em que o barulho nos incomoda a ponto de termos a impressão de que nosso crânio vai explodir e deixar escapar pedaços do nosso cérebro?
O que fazer quando as pernas falham, os braços falham, a memória falha, os olhos falham, a fala falha?
O que fazer quando as dores debilitam, tiram a tolerância e nos transformam em um poço de mau humor?
O que fazer quando os choques elétricos nos atingem em alta voltagem nos fazendo, por reflexo, contrair o corpo e gritar?
O que fazer quando a medicação que nos permite surtar com menos frequência, nos faz adoecer a cada aplicação, tal o índice de reações negativas que ela nos provoca?
O que fazer quando nosso corpo não demonstra aos olhares externos o quanto está debilitado, mas, internamente, sentimos todas as dificuldades que temos de superar para nos colocar de pé diariamente?
O que fazer quando o calor nos deixa entregues, sem energia até para falar?
O que fazer quando no auge do verão, sentimos sede, mas temos medo de ingerir líquidos porque vamos precisar sair de casa e nem sempre terá um banheiro ao nosso alcance?
Qual a fórmula para vivermos "normalmente" como ouvimos todos os dias de pessoas que nem de longe são capazes de mensurar a real dimensão de ser esclerosado?
O que é ser ser normal tendo Esclerose Múltipla?
Será que o normal é vivermos fadigados, tomados por dores, por tremores, fraquezas, formigamentos, medo, incertezas, inseguranças, descontroles emocionais e toda a gama de sintomas e sentimentos conflitantes que carregamos como bagagem?
Será que receber olhares de desconfiança, às vezes de desaprovação, outras de incredulidade é o nosso normal, também?
O que é normal para alguém saudável e o que é normal para alguém que tem uma doença crônica?
Poderíamos dizer que a normalidade é muito relativa e que depende muito das condições de cada um?
Eu acredito que sim, pois o que é normal para mim, pode não ser normal para você e absolutamente anormal para outro.
O que dizer então se compararmos nossa vida de antes com a de depois da Esclerose Múltipla. São iguais? Nada mudou? Temos a mesma capacidade laborativa de antes? Temos o mesmo grau de energia de antes? Temos o mesmo rendimento de antes?
Eu acredito que não, pois, mesmo para os que descobriram a patologia precocemente, não têm sequelas, não apresentam reação alguma à medicação, houveram alterações substanciais no seu dia-a-dia, portanto, seu normal agora será o normal de alguém que convive com uma doença grave, incurável e imprevisível.
Hoje, o meu normal é acordar fadigada, sentir dores diariamente, tomar 3 injeções por semana, ingerir vários outros medicamentos, não suportar o calor, assustar os outros com meus gritos quando os choques e pontadas tomam conta do meu corpo, esquecer palavras no meio da frase, ter urgência urinária... antes, eu não tinha nada disso, então meu normal era outro.
E você, qual é o seu normal?
Um beijo no coração!
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| Guilherme e eu |
Cesárea...
Verões atrás...
Meu filho nos braços, quente...
Era eu que nascia...
(Francismar Prestes Leal)
Parece que foi ontem que você ainda era um menino, tão cheio de energia, que parecia que tinha sido ligado em alta voltagem. Corria, pulava, falava sem parar e eu não conseguia te acompanhar, ficava exaurida e você continuava, continuava, continuava ...
Não esqueço que, toda vez que te levava à pediatra, você entrava embaixo da mesa da médica, se escondia atrás da persiana e, ao final da consulta, invariavelmente, eu tinha de te levar para almoçar em um restaurante próximo ao consultório, você se lembra? Ah! dia desses eu passei lá perto e vi que o restaurante ainda existe, qualquer dia você me leva lá para relembrarmos seus tempos de infância, pois agora é a sua vez de me pagar o almoço! (rsrsrsrs)
Outra coisa da qual não me esqueço foi quando você ganhou seu primeiro videogame e ficava horas jogando Mario World. Ficou expert em todas as fases e eu nunca passei da primeira, mas, mesmo assim, sempre te dizia que eu era o máximo, pois ninguém era melhor do que eu na primeira fase. Você morria de rir e eu apanhei muito, mas nunca ganhei de você!
Você se lembra de quando lançaram Toy Story? Nossa, quantas vezes eu tive de renovar a locação porque você não me deixava devolver a fita? Foram tantas que o dono da locadora resolveu me vender o filme que assistimos tantas vezes que até hoje eu lembro das falas dos personagens! (rsrsrsr)
Tantas recordações de um tempo que você era apenas o meu menino, não que hoje você tenha deixado de ser, porém, agora você também tem outros interesses, além de ficar grudado em mim, e se tornou um homem, por mais que para mim sempre será criança. Aliás, para as mães os filhos nunca crescem! (rsrsr)
Você mudou muito meu filho, hoje não sobe mais no encosto do sofá e dá aqueles pulos mirabolantes de antes, nem fala pelos cotovelos a ponto de eu te pedir pra ficar quieto para que eu possa assistir algum programa na TV, nem mesmo joga videogame comigo e ri da minha cara porque eu nunca ganho de você, no entanto, você tem o sorriso certo quando eu preciso, tem as palavras na hora exata e ainda precisa de mim para encontrar as coisas perdidas tanto quanto antes. (rsrsrsrs)
O tempo está passando depressa demais, você cresceu, mas eu tenho bem nítido na minha memória, e creio que isso nunca se apagará, as 14h24min do dia 04 de dezembro de 1992, momento em que ouvi o seu choro pela primeira vez e beijei seu rosto, imaginando que nunca tinha amado tanto alguém quanto estava te amando naquele instante.
Hoje, no dia do seu 22º aniversário, quero lhe dizer que continuo te amando tanto quanto te amei quando soube que estava te gerando dentro de mim, tanto quanto quando você me deu seu primeiro sorriso, tanto quanto quando você me chamou de mãe pela primeira vez...
Feliz aniversário, meu filho! Te desejo toda luz, amor, paz, saúde, sucesso, bênçãos, prosperidade do mundo! Que cada um de seus passos te levem aonde moram seus sonhos e te façam, nada menos, que profundamente feliz!
Eu te amo!
Beijos da mãe mais coruja do mundo!